Contador de histórias

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Olá amigos,

Hoje vou explorar um tema que qualquer fotógrafo gosta de explorar que é o de contar uma história através de uma fotografia.

Não é obrigatório que todas as fotos tenham de contar uma história. Por vezes apenas querem mostrar algo bonito, ou feio, transmitir um sentimento, ou ilustrar um facto de per si.

O que me refiro é o contar de uma história, tal como um escritor escreve um romance, uma novela, um ensaio. Não propriamente uma foto do tipo foto-jornalismo, que pretende relatar uma situação concreta, é mais aquela foto que nos faz imaginar uma história por detrás do que estamos a ver.

Como num conto de ficção, onde o escritor junta um conjunto de elementos reais para contar uma história ficcionada, a fotografia proporciona-nos essa liberdade criativa para imaginarmos histórias fictícias a partir do que estamos a fotografar. É um exercício criativo que nos faz ir além das preocupações imediatas, nomeadamente da luz, composição, etc.

Reconheço que, por vezes ao fazermos essas fotos, não estamos logo a ver a tal história, contudo há sempre algo naquele momento que inconscientemente nos atrai para a fazer e esse algo é, muitas vezes, a tal história que se começa a construir no nosso subconsciente. E digo-vos, quanto mais praticamos, mais histórias começamos a ver se estivermos receptivos a elas.

Para ilustrar o que acabo de dizer, vou exemplificar com duas fotos que tenho expostas no meu site, e de que gosto muito.

 

 

 

A primeira é que se encontra acima, e que foi feita em Istambul junto à Mesquita Azul.

O contraste entre um ambiente exclusivamente de homens, na zona do lava-pés, e uma mulher vestida de uma forma tradicional mas, ao mesmo tempo com um elemento moderno (o telemóvel), leva-nos a ficcionar o que na realidade todo este cenário poderá querer dizer. Será uma mudança dos tempos ? Será um desafio feminino às leis rígidas muçulmanas ?  O que quererá dizer aquele olhar directo para a câmara ? Afirmação ? Receio ?

 

 

A segunda foto, acima, foi registada num estabelecimento no interior da Praça da Ribeira.

Existem três elementos que nos permitem construir uma história, a solidão do idoso, a sua postura de abstracção e o pequeno quadro junto dele. Que nos diz este cenário ? Será que o idoso recorda aventuras amorosas antigas, agora que a solidão o acompanha ?  A figura do quadro é o conforto para a sua solidão ?  A postura de ambos (idoso e figura no quadro) criam uma ligação entre ambos de saudade por um relacionamento no passado ?

Que cada um construa a sua história.

Como vêem, uma foto pode ser muito mais do que aquilo que apresenta à primeira vista e o saber extrair da foto tudo o que ela pode dar é sempre um trabalho conjunto, do fotografo e do observador.

Espero que este pequeno texto vos tenha ajudado a olhar de outra forma para a fotografia, numa altura em que somos inundados por milhares de imagens todos os dias e, se as fotos acima vos despertam alguma história, contem-me.

Beijos e abraços.

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