Tesourinhos

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Tesourinhos

Decidi começar as publicações regulares no meu blog com o tema Fotografia de Rua porque é um tema que me é particularmente grato. É um tema que não se esgota num único, ou mesmo em poucos posts, porque tem muitas variantes, todas elas merecedoras de atenção.

 Hoje quero dar-vos uma pequena ideia do que sinto quanto faço fotografia de rua.

De certeza cada fotografo terá sensações muito suas ao fazer fotografia de rua, mas acredito que algumas delas serão comuns à maioria dos fotógrafos, pois experienciamos situações, momentos, surpresas que nos levam, de certeza, a sentimentos comuns.

No meu caso, quando decido ir fazer fotografia de rua, é como partir para uma caçada, uma caçada de momentos inesperados, em que alguns até poderão ter algum ‘perigo’ mas que, no geral, cria uma adrenalina própria de quem está sempre à procura daqueles ‘tesourinhos’ que nos enche a alma.

E que tesourinhos são esses ?

São momentos, por vezes de breves segundos, que ao vê-los posteriormente no registo fotográfico, nos transmite sempre um sentimento de momento único, poderá ser uma situação caricata, o olhar de um desconhecido que reflecte o que lhe vai na alma, um contraste entre novo e velho, alegria e tristeza, chegada e partida; podem ser afectos, desprezos, convívios, solidões, no fundo são breves momentos que cruzam o quotidiano de todos nós mas que, muitas vezes, nem sequer reparamos neles e, no entanto, são tão cheios de sentimento e vida.

Um tesourinho é mais do que uma simples foto, é algo que tenta transmitir algo ao observador para além do seu aspecto visual. Umas vezes conseguimos, outras… não.

Claro que nem todas as fotos de rua podem e conseguem ser tesourinhos, no entanto é a persistência e o ‘bater chapa’ na rua que nos vai dando o olhar atento e refinado para descobrir o ‘tesourinho’ quando ele nos aparece pela frente. E quantas vezes ele é tão fugaz e se escapa entre o bater de duas ‘chapas’.

Eu vejo a fotografia de rua como a combinação dos requisitos de um bom pescador e de um bom arqueólogo. De um pescador porque é preciso a paciência para ‘pescar’ aquele momento único e, quantas vezes, se vem com ‘raia miúda’, sem interesse,  na rede, perdão, no cartão de memória. Do arqueólogo porque, por vezes, um pequeno detalhe na rua, pode ser o embrião de um tesourinho que se vai concretizar e temos de ter a curiosidade de o descobrir, antecipar e, sobretudo tentar não interferir directamente com ele, a não ser registá-lo, para não desvirtuar o momento.

 Para quem queira experimentar este tema fotográfico tem de estar preparado para não desistir facilmente, pois haverá muitos momentos em que andamos na rua e parece que somos ‘cegos’, não conseguimos ver nada de interesse. Nessa altura não desesperamos pois sabemos que, se hoje não aparece, haverá muitos outros dias que as oportunidades vão aparecer. Os tesourinhos estão lá, só temos de ter paciência para os encontrar e aprender a descobri-los.

Prometo, no futuro, voltar a este tema pois há vários aspectos interessantes para partilhar com vocês sobre esta temática.

Até lá, divirtam-se !

2 Responses

  1. Luis Manuel T. Trinité Rosa

    Amigo Jorge, bonita e sentida apresentação. Tenho a certeza que, com o gosto à arte e ao tema que agora te abalanças, vais continuar a tirar umas “lindas chapas”, que te vão encher de orgulho bem como a todos nós. Força! Grande abraço, Maria e Luís.

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